As imagens e texto a cheio foram escolhidos por mim.
Bruno Horta procura respostas para o mito segundo o qual os gays sabem sempre quem é gay.

Há milhares de exemplos, mas vamos a um recente. Logo no início do filme Milk, de Gus Van Sant, a personagem Harvey Milk desce as escadas de uma estação de metro e cruza-se com um homem que não conhece.
Em centésimos de segundo ambos percebem que são gays. Olham para trás, reaproximam-se e conversam. Na cena seguinte estão na cama.É uma capacidade tida por formidável – a de os homossexuais perceberem num instante se as outras pessoas também são. Reuniões de trabalho, casas de banho públicas, praias, transportes, fila do supermercado. Em qualquer sítio ou circunstância. Em inglês fala-se em gaydar – expressão tão popular que deu nome a uma rede social na internet. Esse radar gay existirá mesmo? Pedimos a seis gays lisboetas, entre os 23 e 36 anos, que nos dissessem que características lhes fazem disparar o instinto gay.
“É com treino e muitas horas de voo”, ironiza um deles. “Nota-se pelo dress code, condição física e aparência”. Outro destaca “o andar, o movimento das mãos, a postura e por vezes a maneira como se veste”.

O perfume, acrescenta um deles: “O gay normalmente é cheiroso e aprumado”.
Comum a todas estas opiniões é o peso do olhar: “Está tudo na veladura e volúpia dos olhos”; “o que conta é a maneira como me olham directamente nos olhos”; “o olhar insinua o desejo primário”; “é o brilhozinho nos olhos”.
Um entrevistado resume: “São pormenores que só entende quem está no mesmo comprimento de onda”. Só um deles desconstrói a ideia: “ Podia dizer que esse radar passa pelo olhar, mas tenho amigos ‘hetero’ que também olham com desejo quando falam”.
O assunto, que parece fútil, inspira de tempos a tempos investigações académicas. Um psicólogo e professor da Northwestern University, de Chicago, John Michael Bailey, já escreveu livros sobre isto (se pesquisar na net, encontra milhares de referências). E tem chegado à conclusão de que o gaydar existe mesmo. É, no entanto, criticado por sectores gays dar relevo aos maneirismos e à afectação dos homens gays – pelo que alguns consideram que está apenas a perpetuar um estereótipo.O assunto é também tratado numa obra de referência sobre a temática, a americana Encyclopedia of Homosexuality (1990). “O folclore dos homossexuais masculinos ajuda-os a identificarem-se uns aos outros e a comunicar sem que as outras pessoas percebam; é uma maneira de criar sentido de pertença a um grupo”, lê-se. Exemplos desse folclore são o humor gay, a roupa, o visual, a pose (em suma, o chamado estilo camp e drag).

Mais: “A capacidade dos homens gays para engatarem de forma quase secreta criou o mito de que gays que não se conhecem têm um sexto sentido que lhes permite identificarem-se. Mas quanto maior visibilidade e tolerância social existe em relação à homossexualidade, mais essa capacidade de reconhecimento se torna comum a homo e heterossexuais”, diz a enciclopédia.
Opinião idêntica tem um dos gays lisboetas: “O gaydar está fora de moda, cada vez mais conheço pessoas na noite ou através de amigos de amigos”.
Mesmo que a aparição dos metrossexuais tenha vindo baralhar as coisas – já que muitos dos códigos que usam são comuns aos gays – e mesmo que a abertura da sociedade torne menos útil este mecanismo, não consta que o gaydar esteja obsoleto. Todos os dias, a todas as horas, vai dando sinal em qualquer esquina de Lisboa. E não apenas nos filmes de Gus Van Sant.
terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Os olhos, ou antes os olhares…
Não há perfumes, dress codes ou o que quer que seja; está tudo no olhar: a identificação e o interesse…
Fala a experiência!
Abraço.
Por: pinguim em Seg, 2009.03.2
às 0:47
Pois…em parte concordo com o Pinguim…assim, eu enho uma esquema lol, se for só notório pelo olhar como diz o Pinguim, então é interessante, se for notório por outras caracteristicas aí já acho que é demais e passa-me ao lado. Quanto ao dress code, enine, uma ssessoa pode ser trendy ou não, sinceramente não acredito em dress code, até porque as roupas da Abercrombie são maravilhosas para Nerds e Tonhós…tipo…pólos, camisinhas com aquele xadrez e tal e as t-shirts tão sem graça…puff ñ acredito…
Se me disseres que um dress code é ter calças de tigresse justinhas, e isso ser um dress code de um gay, aí sim acredito
falando nisso, dás-me uns boxers giríssimos da Aussiebum??dás?dás??
Por: Ima em Seg, 2009.03.2
às 10:28
O olhar ajuda muito, mas não é tudo. E é claro que há certas roupas e certos maneirismos que não apenas evidenciam como denunciam totalmente. Mas eu acho que um dos maiores problemas é pensar-se que só por se ser óbvio e transmitir certos sinais e encaixar-se nalguns pontos do estereótipo é uma coisa má. Não acho, até ajuda a sabermos com quem nos devemos ou não meter…
Um dia terei uns aussie.
Por: desenhos em Seg, 2009.03.2
às 12:47
Ai amigo este texto tinha dado um jeitão há uns anos atrás: a mim, pq n tenho essa capacidade de reconhecimento e escusava de ter passado por aquela experiência de três meses, e a ele (se calhar assumia quem é) … bem, ao menos já sei reconhecer o toque e o beijo!
Por: One em Seg, 2009.03.2
às 15:26
Pois, a questão do olhar desejante acho que é o indicador mais claro. Olhar, reparar é o que parece mais evidente.
Mas cuidado, porque há, por aí, muita gente que olha muito dissimuladamente.
Abraço
Por: kAP em Seg, 2009.03.2
às 22:52
Aquelas trocas de olhares no metro e no McDonald’s são um factor…porque os olhos só desprendem quando viramos costas….depois existem outros factores…que não consigo explicar…consigo saber que alguém com quem lido é gay…mas não sei explicar porquê!
Por: A... em Qua, 2009.03.4
às 0:54
O texto é fluído e muito interessando, apesar de não nos trazer muito de novo. Pela experiência que tenho (e posso dizer que fui muita até ao momento em que “assentei”), acho que o gaydar existe e funciona, com algumas avarias pelo meio. Como actualmente levo uma vida muito pacata (a de “casado”), já as “antenas” não andam no ar à espera de detectar seja o que for… Abc,
Por: Luís em Qui, 2009.03.5
às 11:42
Em geral os sapatos de salto alto e os chapéus com plumas são bons indicadores…
(just kidding…)
Por: zeh em Qui, 2009.03.5
às 15:34
Conforme o Pinguim (que raio de nome
) escreveu, o interesse expresso no olhar é primordial, no meu ponto de vista: eu sempre achei que um gajo que olha para mim mais do que o tempo necessário para identificar que eu sou do sexo masculino ou (pior) quando olham duas vezes ou (ainda pior) quando olham com interesse renovado, dia a após dia, quando sou a mesma pessoa a fazer as mesmas coisas…
Luís, nada como: “it takes one to know one!”
Se nós olhamos para os gajos que achamos interessantes é natural que os outros façam o mesmo…
Mas nos dias que correm, só posso pensar que esses olhares são apenas de pessoas curiosas… para a minha sanidade mental…. senão não passam de um puro desperdício!
Quanto à indumentária, lamento discordar e reforço a ideia que há dress code identificativo, mas isso não quer dizer que seja obrigatório. Da mesma maneira que podemos adivinhar quem é metaleiro, emo, rockabilly, etc pela forma como se veste, não é forçoso que TODOS façam o mesmo. E há formas vistosas (emplumadas, como disse o Zeh) ou dissimuladas (Abercrombie & Fitch) de mostrar que se é gay, pois estando dentro do meio, torna-se mais fácil perceber quem é quem (indo de encontro à ideia do Desenhos.. se bem que possam ocorrer “enganos”: heteros usarem Abercrombie & Fitch…)
Por isso senhor Ima, se te oferecer uns boxers, serão da DIM, meu machão invicto!
One, não te preocupes… eu também passei por uma experiência de três meses que ainda estou para perceber o que foi.
PS: As minhas desculpas por ter demorado tanto tempo a responder…
Por: enGine throbs em Sex, 2009.03.13
às 1:35